quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

fria cai a noite





           fria   cai a noite
     suspiro     gotas silentes

        pesar    alegria



quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

desperdiçado



encontro ecos de ti
por aqui e por ali
outro rosto e outra voz
e no entanto ainda nós
mas quando busco por mim
me encontro em braços sem fim

quem sou?  alguém que sobrou
a braçadas mil a mares
bravios, viu e abraçou
areias e novos ares

e grato por terra firme
pequena, e só, afirme
ser a vida uma alusão
a um terrível turbilhão
que a tudo draga e escoa
até mesmo as coisas boas




gramado algazarra





                  gramado           algazarra

             grito              bico            garra

                   na placa  :   " NÃO PISE"





terça-feira, 18 de dezembro de 2012

sábado, 15 de dezembro de 2012

no aterro das memórias



no aterro das memórias
ecos de ontem
nas raízes do amanhã
escravismo onírico
da pena que escreve
históricas glórias
onde menos contem
bravuras vãs
no fio de bravatas
de eus-líricos
em febril verve
e pura basófia



acorrentados



atormenta a tormenta
a corrente do vento
que liberta açoita
revolta o mau tempo




sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

bem mal


quando estamos mal devemos parecer bem?
como saber-se mal se parece-se bem?
será um bem fingir que nada há de mal?
será que o bem querer por si só vence o mal?



sprimenta - quindim



spray
nos
olhos

arde
muito
e dói

gotas
rolam
na face

cai sal
no meu
quindim



cadeia de gordim - quindim



mas
que
droga!

meu
quindim
cabô!


sobrô
pudim!


fazê
dieta

serei
presa da
fome


gula - quindim



tadim
do bichin
comeu
tanto
quindim
qui as
lumbriga
num deram
conta
deram
no pé
mesmo
di pé


pudim - quindim



pudim
meu
docim
tu
és
puro
sabor
quero
sempre
assim
pagar
teu
valor



quindim - a forma poética que mexe com teu estômago

quindim - a forma poética que mexe com teu estômago

quindim - o que é?

quindim, além de ser um doce saborosamente brasileiro, é uma novíssima e revolucionária forma poética para pessoas antenadas e de bom gosto, criado por Nilma Pessoa em 2012.  Ao criar novos quindins, favor lembrar de sempre mencionar a criação dessa dadivosa forma a Nilma Pessoa.  Não, não quero nem preciso de agradecimentos ou comentários ou tapinhas nas costas, apenas meu nome estampado em todos os cantos.

enfim, ao quindim em si:

é um formato concentrado de doçura, exatamente como nosso infartante doce.  eis um exemplo para dar uma boa idéia:


tomei
chá
delicim
adocicado


não há nenhuma métrica, é totalmente livre, embora seja interessante pôr cada palavra em uma linha para máximo aproveitamento de espaço e possivelmente da barra de rolagem do navegador, o que ao leitor traz mais prazer e a revigorante sensação de ter lido um épico

o importante é concentrar bastante sacarose para ter máximo impacto, como neste outro:


com
flores
coloridas
nas
mãos
esmaltadas
a
cheirosa
florista
fechou
rechonchudo
negócio
e
saiu
radiante
pra
tomar
um
geladim
e gostosim
milk
shake


adjetivos: quanto mais, melhor.  neologismos brasileiros fazendo referência a quindins também são bem-vindos, como geladim

enfim, espero que apreciem o novo e radical formato poético inventado por Nilma Pessoa e me deem todo o crédito, e quem sabe participação em possíveis lucros.  A união faz à força!  Mobilizai-vos em pirâmides humanas, que estarei sempre no topo prestes a ajudar no que for.

mãos à obra, e que venham mais quindins, que há "farta" de doces para tantos corações amargos e rancorosos

e, lembrando uma última vez, não esqueçam de mencionar "quindim, a forma poética que mexe com teu estômago, por Nilma Pessoa"

abs

DESGOSTO



DEGUSTO MAU GOSTO MAL PASSADO
DESGOSTO NO ROSTO POUSADO
INDIGESTO GASTO PESADO
DESGASTO SOLA SAPATO
PESCO PARCO PESCADO
GESTICULO PRO GATO
REGISTRO ESCABRO
PISO NO RABO



lá e cá, um corte





lá e cá, um corte
a morte ante a vida cai
sai forte o bonsai




intempestivo



do topo de suas frondosas sapiências
farfalhavam árvores todas animadas
pela mudança que se operara no vento
que rondava febril e suspirava

rodopiava no chão almejando nuvens
brincalhão trazia de súbito notícias
a rostos incautos, o susto e o lamento
perdeu-se o balé da esvoaçante saia

no horizonte olhares esmiuçantes punem
os excessos e aspirações da pobre brisa
num suspiro o arrebol cai morto, agourento
sonhos desfeitos antes que a noite caia


portas fechadas


tá tudo fechado
todas as portas trancadas
não há saída, não há entrada
não corre vento
todas as direções são desastrosas
todas as vias nada vêem
todas as mãos corrimões
e onde pisam os pés
é solo sagrado
não há saída, não há entrada
há um espaço fumacento
onde com versos o eco em prosa
responde ao meu inquérito
como um psicanalista
e para quebrar o silêncio
acrescento um tom de voz
e não entra ou sai
apenas fica

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

um lugar comum



em um
lugar
comum

cabem
mil e um
comuns

em
casas
comuns

casam
moram
morrem

um a um
fazem
mais um

mais um
e um
topa

topo
de todo
mundo

e fundo
fundo
cai

quando
sem um
comum

fica
lugar
nenhum



sentimentos



sentimento amor pele pênis vagina
sentimento suor esperma virilha
sentimento pele coração camisinha
sentimento dor sofreguidão definha
sentimento amor vagina coração
sentimento vagina pele suor pênis
sentimento pele bunda seio cio
sentimento flor abelha picadura


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

marasmo




                   marasmo
           no mar         pleonasmo
               no ar      asma




terça-feira, 11 de dezembro de 2012

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

na face a derrota





na face a derrota
o cenho franzido
vencido por riso






obscura noite




obscura noite
bruxa alheia ante deus chama
gato preto mia



elos


vista turva
toga torta
arrota rota
traça curva
uva passa
chuva fraca
dá meia volta
solta e arreia
vaca e planta
semeia creia
pão na janta
ceia santa
canta chuva
dorminhoca
nuvem murcha
marcha lenta
leva embora
leve roda
roda e gira
mexe e tira
força e dobra
pão dobra
e sobra
farelo

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

o fim do ateu


após breve soneca pela eternidade
niemeyer acorda e sente frio e nada
chama e reclama mas mesmo eco se cala
arrisca então uma linha pela infinidade
concluída então mais essa obra
faz-se ponto final e se desdobra



esboça um sorriso





esboça um sorriso
uma abertura entre nuvens
o sol amarelo






quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

vence qualquer mal odor





vence qualquer mal odor
desodorante barato
e de quebra traz o amor
querendo estar nos seus braços






pra reviver o carinho




pra reviver o carinho
abrir a janela basta
vento traz do passarinho
canção que saudade afasta





trama




guardada em mim
mal incontida
fio secreto
da ilusão

amortecida
em renda fina
rende-se a vida
à minha mão
e só dejetos
sobram ao fim




ao comprar bijouteria

foto de Wilson Madrid




ao comprar bijouteria
em cartaz, o preço: um livro
folheados eu teria
e com folhas alma livro





inspiração nula





inspiração nula
olho pra flor, ela muda
um suspiro sai




terça-feira, 4 de dezembro de 2012

raios do solo





   em raios           do solo
       árido     brotando rubros
   espinhos        ao sol





jardim de saudades





jardim de saudades
no chão, folhas esquecidas
no banco, ninguém




banco de jardim
abandonado resiste
aos pés, folhas mortas

 


em meio ao jardim
folhas e troncos caídos
e banco vazio




cabana e banana





cabana e banana
da viagem descansado
Bashô na casca cai






minha homenagem ao grande mestre japonês.  quem sabe não foi um episódio assim que o fez cunhar o apelido? ^^; bashô = bananeira.  tinha uma ao lado da sua cabana.  não ficou 5-7-5 perfeito, escorreguei na última sílaba também (de propósito)... rs

termos



falta termos
mais termos
técnicos
frio quente
termos
estática
para termos
logia
temos tempo



segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

de dia e de noite





de dia e de noite
olhos correm    no horizonte
deita céu a mar




violência




violam-se vidas
violam-se templos
viola dedilha-se



me acompanha desde o útero





me acompanha desde o útero
minha amada solidão
mas bem sei que sendo adúltero
não terei mais sua mão





sombra


de dia, encolhida aos meus pés, minha sombra
me acompanha calada, aonde quer que eu vá
não importa a dureza da trilha de lá
cá está ela, a quais aventuras sejam, pronta

e se reclamo que sua mudez me afronta
e da irritação que sua imitação me dá
sua face muda volta e me oferece já
da mesma irritação com que de mim zomba

por fim, o entardecer chega e aos prantos tomba
e vendo-me livre de sua presença
ponho-me a pensar sobre os fatos do dia

e sem a luz do sol são pura agonia
a aspereza das pedras a mente esquenta
e o que está por baixo ganha vida e assombra

domingo, 2 de dezembro de 2012

não há sono, não há paz





na selva noturna
não há sono, não há paz
medo à espreita jaz







no bosque à noite
não há sono, não há paz
há medo e há foice








no mar sob o luar
não há sono, não há paz
sombras abissais





uma aurora urbana

Foto de Lenapena




uma aurora urbana
entre prédios, luz emana
do concreto, aflora