quinta-feira, 9 de outubro de 2014

da pequenez das coisas insignificantes


daqui a muito tempo
bem longe daqui
alguém olhará para o céu
como sempre se faz
e dentre cintilações várias
perdida
uma pequena estrela
em volta da qual um pequeno
mundo habitado por grandes
pessoas e dramas
há muito morta
brilhará
num piscar
desfaz-se toda lembrança
de tudo de tão importante
que a tantos importunou
perde-se a medida
do fio da meada
e da violência escalada
e de mais tumba descida
ao coro rouco de vozes
um dia grandes, há muito
pela mais reles e pequenina
criatura vencidas

terça-feira, 30 de setembro de 2014

dormem todos e sonham-se despertos
toda luta e rotina, passatempos
vaga mente entre água, fogo e vento
acredita dos sonhos estar perto

quanto mais se aproxima, tão mais certo
tudo mude, ruindo entre lamentos
na memória sepulta a exemplo
do que não se fazer para dar certo

recomeços sem fim na noite eterna
seja rei ou escravo, a mente hiberna
procurando por algo onde não há

há papéis que se dão uns para os outros
seja rei ou escravo, nenhum solto
pesadelo sonhando até acordar

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

amorfo
pelas beiras
anda devagar
vasculha
tateia
inseguro
indeciso
qual rota
pelo muro
apagar?
escolhas
são dos vivos.
sobrevivente
dos mortos
só a eles deve
seu apego e lar.
nenhuma e todas
vias colhe
entre mortas
folhas
quem jaz
mofo

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

.

ramos e remos
à beira rio. rumor
de águas sem rumo

ramos e remos
à beira rio. furor
de fim de estio

.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

inominável

inócuo
é teu nome hoje
entoado

quando pretos
meus pêlos
eriçados
e meu fôlego
de uma só vez
tomado
era encanto

então
foi fel
veneno infiel
vitriol
conserva de tantos
prantos
em formol

o invoco
e ele me foge
aos lábios
agora

um invólucro
frágil que protegia
do lado de fora
o que de nós
soprou:
vácuo