segunda-feira, 15 de setembro de 2014

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ramos e remos
à beira rio. rumor
de águas sem rumo

ramos e remos
à beira rio. furor
de fim de estio

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terça-feira, 2 de setembro de 2014

inominável

inócuo
é teu nome hoje
entoado

quando pretos
meus pêlos
eriçados
e meu fôlego
de uma só vez
tomado
era encanto

então
foi fel
veneno infiel
vitriol
conserva de tantos
prantos
em formol

o invoco
e ele me foge
aos lábios
agora

um invólucro
frágil que protegia
do lado de fora
o que de nós
soprou:
vácuo

domingo, 24 de agosto de 2014

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a cor de uma flor
vistosa e característica
é na verdade um engano
da luz solar de todas as cores
que lhe batem e que colhe
a cor que nos chega à vista
é exatamente a que renega
explica a física

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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

chagas



é o eco
de minha voz
em teus ouvidos
a tremular cacos
de vidro no negrume
do quadro negro riscado?
é débil o molejo gestual
exibido multifacetado no fio
com que gracejas desdenho
imposto a fachadas fechadas.
as ruas perseguem teus passos
os muros se juntam ao meio-fio
e calçadas e janelas espiam.
teus pecados expostos em rubra tinta
chagas que só o tempo apaga